Resenha Crítica #8: Orgulho e Preconceito - Em Quadrinhos

Resenha Crítica #8: Orgulho e Preconceito - Em Quadrinhos

Boa noite Críticos e Críticas!

Esta noite trazemos para vocês a resenha do quadrinho Orgulho e Preconceito, da Editora Nemo.

Capa do quadrinho. Fonte: acervo pessoal.

Antes que vocês perguntem, eu comprei na Amazon, que foi onde achei o preço mais barato.  Contudo, se você já conhece um pouco desse site, sabe que o frete deles não vale a pena se você não comprar num valor de R$99,00 ou mais para as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Para as regiões Norte e Nordeste, o preço sobe para R$139,00. Então, eu aproveitei para comprar o presente de dia dos namorados do Luiz por lá, aproveitando o frete grátis.

A história é velha conhecida de praticamente todo mundo, se você nunca ouviu falar sobre nada escrito por Jane Austen, eu aconselho você sair da toca e procurar uma biblioteca. Ou o Google.

A  versão em quadrinhos de Orgulho e Preconceito, com um livro em inglês dos escritos de Jane Austen e algumas adaptações cinematográficas de seus livros. E minha xicrinha fofa porque sim, pra compor a estética da foto, tá bem? Fonte: acervo pessoal.

A escritora inglesa do final do século XVIII teve seus trabalhos traduzidos em várias línguas e várias obras suas viraram filmes conhecidíssimos e séries de televisão. Podemos destacar Amor e Inocência (Becoming Jane, 2007) estrelado por Anne Hathaway que conta uma versão bem resumidinha da sua vida (e quando eu digo resumidinha, eu quero dizer isso mesmo).

 Arte baseada no filme Becoming Jane. Fonte: Pinterest.

De todas as suas obras, a mais aclamada e renomada é Orgulho e Preconceito. Essa história já foi adaptada muitas vezes para diversas mídias. Só no cinema e televisão, podemos contar com um bom número de versões, como por exemplo: a de 1940 com Greer Garson e Laurence Olivier; a de 1995 com o Colin Firth (alguns fãs juram de pés juntos que essa é a melhor versão do Mr. Darcy, e eu absolutamente concordo) e Jennifer Ehle; a de 2005 com Keira Knightley e Matthew Macfadyen; a versão indiana de 2005 chamada de Noiva e Preconceito (Bride and Prejudice) com Aishwarya Rai e Martin Henderson.

 Orgulho e Preconceito, versão 1940. Fonte: Three By Week.

 Orgulho e Preconceito, 1995. Fonte: Leitores Depressivos.

 Orgulho e Preconceito, 2005. Fonte: Livros e Bolinhos.

Noiva e Preconceito, 2005. Fonte: Descobrindo Jane Austen.

Também outros filmes baseados nos escritos de Jane são conhecidos, como O Clube de Leitura de Jane Austen (2007) e Austenland (2013). Fora as versões para o teatroquadrinhos e spin-offs. Sem contar as adaptações de suas outras obras, que se eu for mencionar o post vai acabar antes que eu consiga mencionar o quadrinho.

Ufa! Já deu pra entender que fazer essa adaptação não é tarefa fácil, né? São tantas mídias pra competir que isso tende a acumular uma séria responsabilidade de não fazer feio. Pois bem, vamos fazer como é costumeiro no blog: trazer cinco critérios, valendo dois pontos cada. Lá vamos nós:

  1. Roteiro (2,0);
  2. Narrativa Gráfica (2,0);
  3. Tradução (2,0);
  4. Arte (2,0);
  5. Colorização  (2,0).
O Quadrinho. Fonte: Escritoras Inglesas.


1. Roteiro (2,0/2,0):

O roteiro fica a cargo de Ian Edginton, renomado roteirista inglês que já trabalhou com grandes estúdios e ganhou vários prêmios. Okay, se você quiser saber mais, só clicar no nominho dele.
A história é bem fiel à original e o roteiro é bem trabalhado. Fica fiel sem ser uma cópia exata, o que é algo que tem que ser feito com todo o cuidado para não desvirtuar o enredo.
A leitura é tão leve que eu acabei o quadrinho em poucas horas. O que distingue esse trabalho de uma versão literária tradicional é que os diálogos são construídos de maneira mais casual. A história é recontada por alguém que leu a obra original e vai repassar para o leitor (que pode ter lido a obra original ou não).
Por isso que minha nota é máxima. Uma pessoa que nunca saiu da toca e não conhece Lizzie e suas irmãs ou o Mr. Darcy consegue compreender perfeitamente a essência da obra de Austen.


2. Narrativa Gráfica (2,0/2,0):

Sendo bem sincera, esse tópico é um pouco alienígena pra mim, que comecei a ler quadrinhos há bem pouco tempo. 
Tentei ser o mais sucinta possível mas, trocando em miúdos, de maneira bem grosseira, a narrativa gráfica, no meu humilde entendimento é o que os diálogos e as imagens (expressões corporais dos personagens, suas atitudes e gestos, o cenário, p.e.) contribuem para o entendimento do leitor e a maneira com que se relacionam. Estou falando isso de maneira totalmente leiga, tá bom? Por exemplo, se há uma boa narrativa gráfica, para mim, o leitor não precisa ficar voltando para reler aquele trecho para compreendê-lo.
Como o roteiro foi bem escrito, já tinha meio caminho andado. Não tirei pontos aqui também porque achei que a harmonia dos traços com o roteiro estava perfeita. Como disse antes, a leitura fluiu bem tranquilamente.


3. Tradução (2,0/2,0):

Trecho do quadrinho em inglês. Fonte: Forbidden Planet.

Mesmo trecho do quadrinho em português. Fonte: acervo pessoal.

A tradução ficou por conta de Gregório Bert e Fernando Variani (não achei nenhuma página pessoal deles ou referência relevante na web, se alguém souber comenta aqui que eu coloco)
Vamos respirar bem fundo nesse tópico e contar até três porque senão eu vou sair escrevendo um monte de elogios e vocês vão cansar de só ouvir coisas boas. Risos, muitos risos.
Falando sério agora. Traduzir não é só pegar as palavras, botar no Google Tradutor e sair colocando tudo ao pé da letra... Os riscos do leitor não entender nada desse modo são absolutos 100%.
A tradução foi feita de tal modo que o roteiro continuou com seu aspecto de leveza. E eu acredito que ela tenha ido mais além, colocando os diálogos num português formal mas que não é prolixo ou pomposo.
Assim, a história tem muitas chances de captar uma maior variedade de públicos, agradando tanto aos leitores de quadrinhos, incluindo pessoas que estão acostumadas a uma leitura mais coloquial quanto aos amantes da literatura tradicional. Ele ficou numa zona que consegue agradar à gregos e troianos.
E isso, minha gente, não é fácil de conseguir. Parabéns aos envolvidos (sem ironia, o pessoal usa tanto essa frase de maneira irônica que é bom até frisar, enfim)!


4. Arte (2,0/2,0):

A arte é de Robert Deas. O traçado dele é muito bem feito. Não é nada super elaborado, mas eu acredito que esse contraste do traçado simples com o peso do roteiro casem perfeitamente, compondo bem a narrativa gráfica.
Destaque para as paisagens e os fundos de cena que, vez ou outra, chamam bastante atenção e são bem bonitos. Também faço menção ao jogo de sombras. Naquela época não existia luz elétrica, então a penumbra criada nas casas dá todo um tom dramático ao enredo.


5. Colorização (2,0/2,0):

A paleta de cores utilizada dá uma vida nova aos quadrinhos, fugindo do tom óbvio de todas aquelas representações que eu trouxe no início do post. É sóbria (não é exuberante como as cores em Noiva e Preconceito), mas ao mesmo tempo não tão enfadonha (como por exemplo das produções cinematográficas de 1995 e 2005). Azuis, verdes, tons de roxo e de rosa, além do contraste com o preto, estão sempre presentes.

Capa do quadrinho. Fonte: acervo pessoal.

Mas que saco, Carol, você vai dar 10 de novo? Na na ni na não, querido leitor ou leitora!
Vou tirar 02 décimos (0,2) por conta da fonte estilo de convite de casamento brega usada nas páginas 104 e 105! Aposto uma bala juquinha que a fonte usada foi Edwardian Script. Eu sei que a intenção era simular uma letra de mão, como era comum naquela época. 
Mas, porém, todavia, contudo, a letra ficou muito pequena para um trecho muito grande. Alguém com problema de vista ou dislexia (ou simplesmente com bom gosto) provavelmente deve ter odiado aquele trecho.
Poderiam ter usado tantas outras fontes, meus amores. E não adianta culpar o estagiário porque alguém aprovou esse design!

Portanto, minha nota final é 9,8!


Agora vou fazer umas considerações finais sobre Jane Austen, sua escrita e essas coisas todas. Aguenta aí que não acabou não, mas quase!

Estava eu lendo o quadrinho quando me deparo com essa cena...

Trecho do quadrinho em que Lizzy Bennet declina o pedido de casamento de William Collins e ele insiste que ela, na verdade, está postergando sua aceitação. Fonte: acervo pessoal.


E eu fiquei pensando com meus botões... No final do século XVIII os homens já achavam que não era sim. Como, que no século XXI as pessoas ainda pensam assim?

Não me entenda mal, Jane Austen foi uma mulher à frente do seu tempo e Eliza Bennet era um ícone super moderno na época do lançamento. E tudo bem trazer isso para uma versão da história original. Mas, como que ainda produzimos literatura, cinema, arte com esse pensamento, ainda nos dias de hoje?

Aí a Lorian Toledo resumiu bem:
"...naquela época os livros eram sim à frente de seu tempo, tanto que alguns livros da Jane Austen foram proibidos em certos países mais conservadores. No entanto se for pra comparar mesmo, considerando os parâmetros daquela época e os de agora, poderia-se talvez comparar com a saga Crepúsculo da era contemporânea. Dentro dos parâmetros de sociedade que a J.A. tinha, era algo revolucionário ter uma mulher batendo boca com um cara e se considerar independente. Mas não pode deixar de se notar que a 'independência' tinha limites, e que o machismo representado no livro não só demonstra o machismo da sociedade dela, quanto o próprio machismo impregnado na mente das mulheres, a noção de 'pertencimento' a um homem, a paixão mirabolante, a cultura popular de romantismo ideal e irreal, que é o mesmo denotado em Crepúsculo. Digo que muito dos problemas de relacionamento que as pessoas tem atualmente vem de influência da cultura pop, músicas, filmes, livros, que sempre tentam mostrar aquela história de amor, mirabolante ou não, de pertencimento e felicidade e que pra ser feliz tem que ter XYZ elementos, quando na verdade quem faz o relacionamento é o próprio casal e seus sentimentos únicos, que não podem ser comparados a um filme."
Eu não poderia ter dito melhor. E com isso, meus queridos, termino essa crítica que ficou bem compridinha. O que vocês acharam? Quero saber a opinião de vocês! Até a próxima!

- Ana Carol.

Um comentário:

  1. Não só aqui pela citação, mas também porque me interesso pelas obras de Jane Austen: gostei da maneira com que escreve e faz a crítica, leitura ótima e fácil. Sobre a crítica, tem outras obras que denotam bem essa temática como O Morro dos Ventos Uivantes de Emile Bronte -coincidentemente ou não, um livro bem citado na saga Crepúsculo- e outros da Jane Austen. Acho interessante ver pelos olhos dela como a sociedade funcionava na época, mas como também funcionava os desejos e mente das mulheres, traços que são vistos até hoje em nossa cultura.

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